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sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Denominação Patronímica da Biblioteca Pública de Estrela-RS

Hoje vou postar algo diferente, que não tem muita relação comigo mas ao mesmo tempo tem toda.
Em fins de Dezembro, a Biblioteca Pública do Municipio de Estrela, onde nasci, resido e trabalho, fez o descerramento da placa com o nome de Francisco Reckziegel (Assis Sampaio), meu tio falecido há pouco mais de três anos. Com isso a biblioteca tem agora seu nome, o que é uma honra e motivo de orgulho para toda a família.
Vou postar a noticia exatamente como ela foi ao ar:

" A Biblioteca Pública Municipal foi palco no final da tarde desta quarta-feira, dia 21, de grandes emoções e lembranças na cerimônia de denominação patronímica, recebendo através de votação popular via internet, o nome de Francisco Reckziegel (Assis Sampaio).
Com a presença de autoridades e familiares a cerimônia foi tomada por emoção, quando a filha Heloísa, fez um resumo da vida de Francisco, relembrando os fatos, frases e ditos do escritor, que por décadas escreveu sobre o cotidiano da cidade em colunas de jornais e em livros.
Após o relato ocorreu o descerramento da placa, que contém os dados do patrono, com a presença da viúva Elly Reckziegel, juntamente com a secretária municipal de Cultura e Turismo, Belkis Carolina Calsa, representante do Conselho Municipal de Cultura, Werner Schinke e a vice-prefeita, Irene T. H. Veloso da Silveira. A homenagem contém a seguinte frase escolhida pelos familiares: "As evoluções intelectivas dançam no cérebro sem parar. Às vezes, como um furacão em redemoinhos. Outras, como leve brisa primaveril, espargindo paz no coração. Captado o assunto, o passo seguinte é vesti-lo com as roupagens vistosas das palavras."
A votação via internet ocorreu de 14 de outubro a 14 de novembro, e Assis Sampaio concorreu com mais três personalidades (Antônio Carlos Porto, Lothar Francisco Hessel e Walmor Bergesch), nos 30 dias foram registrados 3.548 votos, sendo que Francisco obteve 3375 indicações, 95.12%.
O novo espaço da Biblioteca foi inaugurado em outubro, localizado no prédio da antiga Polar, sito a rua Pinheiro Machado, nº 343.

QUEM FOI ASSIS SAMPAIO:
Natural de Linha Terezinha, Sampaio, Venâncio Aires, nascido em 21 de dezembro de 1929. Profissão: Técnico em Contabilidade. Falecido em 7 de julho de 2008, sepultado em Estrela-RS. Faleceu no Hospital Moinhos de Vento em Porto Alegre.
Reckziegel foi o primeiro presidente da Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL) de Estrela. Integrou a primeira diretoria do Centro Cultural 25 de Julho.
Seu pseudônimo literário foi adotado em razão do santo padroeiro, São Francisco de Assis, e do nome de sua terra natal, Sampaio.
Entre 1936 e 1939 estudou na Escola Paroquial, em Sampaio. De 1940 a 1945 estudou no Seminário Seráfico, em Taquari. Mais tarde 1955-1957 - Escola Técnica de Comércio, em Estrela.
Realizou trabalhos como a produção de crônicas semanais para Jornal Nova Geração 1972-1989. Também produziu crônicas para o Jornal O Informativo do Vale e Jornal Folha de Estrela.
De 1979 a 1989 realizou comentário dominical na Rádio Alto Taquari de Estrela-RS.
Em 1995 recebeu prêmio "Histórias de Trabalho", do Núcleo Cultural Usina do Gasômetro, da Prefeitura Municipal de Porto Alegre na categoria "Lembranças e Vivências".
Em 1997 publicou o livro NAS BARRANCAS, uma seleção de crônicas do Jornal Nova Geração, com apresentação do jornalista da Rede Globo, Alexandre Garcia.
Em 1999 recebeu Menção Honrosa no Concurso Santa Crua, 150 Anos de Colonização Alemã, na UNISC.
Ainda em 1999 Edição do livro DIVAGAÇÕES e REMINISCÊNCIAS, crônicas do Jornal Nova Geração, com prefácio do escritor Lothar Hessel.
Em 2000 teve trabalho selecionado no Concurso Histórias de Trabalho, da Secretaria Municipal da Cultura, da Prefeitura Municipal de Porto Alegre.
Em 2001, edição do livro RECORTES DO JORNAL, crônicas do Jornal Informativo do Vale, com prefácio do jornalista Osvaldo Carlos Van Leeuwen.
Talvez quem melhor tenha definido a importância da obra de Assis Sampaio foi Alexandre Garcia no prefácio do livro "NAS BARRANCAS" quando escreveu "Mas não é apenas a crônica de uma cidade, que desperta recordações. É também um livro para ser lido nas escolas, não só para estudar o estilo filosófico do cronista, mas também para aprender uma parte da história da cidade. Porque a cidade tem alma, sim. E cronistas como Assis Sampaio, são uma espécie de médiuns, que invocam espíritos das cidades. A alma de Estrela baixou neste livro".




sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Agora Eu Morro - Fabio Brust

Resenha do livro Agora Eu Morro, de Fábio Brust (confiram o site do autor, http://fabiobrust.blogspot.com/ )





Sinopse: Em uma grande cidade, quatro pessoas tentam sobreviver ao terrível ano de 2033, quando grande parte dos problemas mundiais - entre eles, a falta de água e o aquecimento global - explodem junto de uma bomba de hidrogênio em Berlim. A radiação se espalha pelo mundo e atinge, também, Nova York, onde Char - uma clone mulher prestes a morrer -, Liel - um mexicano que tentou matar o presidente norte-americano - e Yuma - uma estudante japonesa que, depois de um trauma, vira uma assassina - tentam sobreviver. Enquanto isso, o quarto personagem, Imort, tenta morrer, e dá sua voz para contar a história de "Agora eu Morro", que, apesar de tratar da morte, fala, principalmente, a respeito da vida.



Antes da resenha já começo com um pequeno desabafo (que obviamente não interessa a ninguém), Por que a literatura nacional continua sendo marginalizada, em detrimento de tantas “obras-primas” vindas lá de fora? Muita gente diz prestigiar os autores nacionais, mas na hora de comprar livros dos mesmos, a conversa se torna diferente.
Mas que relação tem isso com a resenha?
Simples, se a literatura nacional fosse mais difundida e valorizada, livros como esse Agora eu Morro, do Fábio Brust, estariam em todas as livrarias do país, pois sem exageros, foi um dos melhores livros que tive a oportunidade de conhecer nos últimos tempos.
Trata-se da história de quatro pessoas tentando sobreviver no mundo praticamente sem vida no ano de 2033. Char, uma clone mulher prestes a morrer, Liel um mexicano que tentou matar o presidente dos Estados Unidos, Yuma, uma estudante japonesa que, depois de um trauma sofrido no principio da “crise”, vira uma assassina, e o personagem principal, que faz a narração dos acontecimentos, Imort (diminutivo de Imortal), que, sendo sincero, durante 70% do livro me faz ter uma profunda aversão a ele (para não dizer raiva mesmo), mas que na parte final mostra uma face mais “simpática”, o que traz um aspecto inclusive mais humano para ele.
O livro é muito bem escrito, inclusive algumas dúvidas de determinadas ações são mais adiante explicadas, não deixando qualquer tipo de “furo” ou pontas soltas, algo que ocorre as vezes em determinadas histórias.
Fábio foi muito feliz em criar uma história de ficção ambientada no futuro, mas que soa completamente verossímil para quem lê. É literatura de alto nível, que merece um lugar de destaque.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Resenha de Inspiração a Beira do Abismo de Jocir Prandi

Este é um livro de contos do escritor gaúcho Jocir Prandi, com Apresentação de Moacyr Scliar (RIP), acessem http://jocirprandi.blogspot.com/ e confiram mais sobre a obra e o autor...

Surpreendente
21/04/2011

Inspiração à Beira do Abismo é um daqueles livros de fácil leitura (não confundir fácil com simples), que quando a gente vê terminou, e ficamos com aquela boa sensação de quero mais.
Os contos são do nosso cotidiano, relatos da vida comum, que todos já passamos ou vimos passar ao nosso redor. O tom inicial sempre é um pouco triste, mas que no fim trás grandes lições de esperança para nossas vidas.
Muitos não dão o devido valor aos contos, mas só quem escreve sabe que não é assim tão simples criar uma boa história em poucas páginas. Isso o Jocir conseguiu, e de forma primorosa.
Aconselho a todos que venham a conhecer o livro, e creio que todos terão grandes inspirações (mesmo que sejam à beira do abismo)

terça-feira, 3 de maio de 2011

Promoções

Após algumas tentativas com a Editora, estou com algumas promoções do meu livro O Casarão.
Por depósito bancário, o livro foi de R$ 28,00 para R$ 25,00, e pelo pagseguro de R$ 29,90 para R$ 27,90, podendo ser pago por boleto bancário ou cartão de crédito, inclusive podendo ser parcelado.
Também estou participando de algumas antologias, cujos valores serão os seguintes:
Jogos Criminais (contos policiais) + O Casarão = ambos por R$ 47,90(depósito Bancário) e R$ 49,50 (Pagseguro)
e na segunda metade do mês de Maio, será lançada a antologia Espectra (contos fantasmagóricos), onde farei a seguinte promoção.
Espectra + O Casarão = R$ 42,00(depósito bancário) e R$ 44,90 (Pagseguro)
Espectra + O Casarão + Jogos Criminais = R$ 64,00 (depósito bancário) e R$ 67,90 (Pagseguro)
Lembrando que de todas as formas o frete está incluído.
Quem se interessar, é só entrar em contato comigo pelo e-mail vicentereckziegel@gmail.com
Um forte abraço a todos, e prestigiem a Literatura Nacional



segunda-feira, 18 de abril de 2011

Doença e Cura - Fabian Balbinot

Resenha do livro Doença e Cura, de Fabian Balbinot (Editora Alcance), mais um ótimo autor nacional, que todos devem conferir...



Muitos devem pensar "ohh mais um livro sobre vampiros?". Sim é mais um livro sobre vampiros, mas ao mesmo tempo é muito mais que isso...
Doença e Cura, de Fabian Balbinot, é um livro em determinados momentos cruel e com detalhes, digamos, desagradáveis para a maioria (e o mundo onde vivemos não é assim?), mas é justamente nisso que ele se diferencia dos demais, por não querer ser um livro de fácil assimilação pelo leitor que prefere romances açucarados entre adolescentes e vampiros bonzinhos. Os personagens são cruéis(novamente) e sem qualquer tipo de sentimentos humanos.
A maneira que foi escrito também é muito interessante, não sendo em sua grande parte uma estória sequencial, o que inclusive traz um "charme" a mais a leitura.
Sem contar o interessante epílogo, que não deixa de ser uma boa sacada de humor negro do autor.
Enfim, é livro para quem gosta de terror/suspense, mas aconselho a todos que gostam de uma ótima leitura, inclusive para sair do lugar comum, e verem que no Brasil, tem autores tão bons quanto lá fora, até mesmo melhores que os chamados best-sellers.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Apátrida - Ana Paula Bergamasco



Hoje irei fazer uma pequena divulgação de um grande livro, que aconselho a todos conhecerem, o espetacular Apátrida, da escritora Paulista Ana Paula Bergamasco.

Todos conhecem A menina que roubava livros e o Menino do pijama listrado, livros de sucesso mundial e vendagem absurda.
Sem exageros, Apátrida é melhor que qualquer um destes, muito mais emocionante, extremamente minucioso nos detalhes, ele facilmente te transporta para a história de Irena, e toda sua luta pela sobrevivência nos horrores da segunda guerra mundial.
Não sou o maior fã de livros que retratam a segunda guerra, devo admitir, mas este é um livro que rompe as fronteiras do "gostar" ou não do assunto. E além de toda a qualidade do texto, deve-se destacar a linda capa, e todo o cuidado na edição.
Eu aconselho a todos que gostam de uma boa leitura, inteligente e emotiva, a lerem Apátrida, e tenho absoluta certeza que ninguém irá se arrepender. E terão a mesma certeza que eu, que estarão diante de uma grande escritora e de uma fantástica obra literária.

Só para encerrar, quem for do vale do Taquari, pode adquirir O Casarão na Livraria do Estudante e O Paladino, em Estrela-RS, e nas Lojas Wessel, que possui lojas em Languiru e Canabarro (Teutônia-RS) e na Júlio de Castilhos, 605 Loja 1 em Lajeado-RS, além de poder adquirir pela internet comigo, por depósito bancário ou pelo Pagseguro (banner lado direito do site)

Prestigiem os autores nacionais.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Beijo Sangrento

Sempre dizem que em tudo há evolução, principalmente na escrita.
Por isso disponibilizo o primeiro conto que escrevi, isso há uns 85 anos atrás mais ou menos.
Para mostrar que até mesmo eu posso evoluir, afinal, era algo bem simples, e mantive até mesmo os erros, afinal, qual a graça de tudo, sem que haja erros para serem entendidos e nunca mais cometidos?
A primeira vez, a gente nunca esquece...


Beijo Sangrento




            Entrar nesta casa após tantos anos me trazem uma serie de recordações.
Algumas felizes, outras nem tanto. Mas a grande maioria é lembranças de alegria e felicidade. Momentos estes que infelizmente nunca poderão ser reeditados. Estão perdidos para sempre, apenas vivos em minhas memórias.
Não consigo acreditar no que aconteceu, parece um filme de péssima qualidade contado a nós por outras pessoas. Tão cruel para parecer à vida real, uma vida tão ligada a minha.
Mas infelizmente aconteceu, e a nós, que continuamos a vagar por este mundo, só nos resta saber porque? Por que isto aconteceu?
           Nesta casa morou, até poucos dias atrás, a melhor amiga que já tive em toda minha vida. A mais especial e querida garota que já conheci. E agora... É difícil conter a emoção ao andar novamente por esta casa, antes cheia de vida, mas agora deserta.
Uma casa onde praticamente me criei, onde cresci e passei toda minha infância e adolescência.
E agora retorno, adulto, apenas para ver paredes e salas sem vida. Apenas para ver o fim da inocência. Tudo parece sem sentido e triste.
Não seria para menos, a tristeza era algo impossível de ser evitado. Ao menos nessa situação ela tinha de ser uma fiel companheira.
A dona desta casa, Thais, minha amiga desde os quatro anos de idade, minha amiga durante todos os momentos, havia se matado. Nada a falar além disso, ela se matou. Talvez por não ter agüentado as pressões e loucura do mundo real, ela resolveu partir rumo ao desconhecido, deixando para trás todos os seus amigos e familiares.
E justamente no momento mais feliz de minha vida, aconteceu algo desta natureza, talvez apenas para mostrar-me que toda felicidade é passageira. Que, sempre com uma boa noticia, vem uma ruim. Assim é a vida, infelizmente.
E estamos nela somente de passagem.
Tudo aconteceu tão repentinamente, ninguém nunca poderia imaginar que Thais poderia ser capaz de tomar tal tresloucada ação. E agora era tarde demais.
Justo quando eu estava prestes a me casar, toda a felicidade existente dentro de mim, agora barrada por uma onda de incredulidade e dor.
E parece que tudo aconteceu justamente no dia que lhe enviei uma carta. Uma carta que trazia apenas alegria e boas recordações.
Nesta carta em que pedi a ela para ser a madrinha de nosso casamento. E de nosso futuro filho, que nascerá dentro de sete meses.
Então, justo neste dia, Thais tomou a fatídica decisão de partir deste mundo e nos deixar sozinhos e estarrecidos.
Mas porque ela teria tomado tal dramática decisão?
Por isso estou, aqui, depois de alguns anos sem pisar neste chão, em que tanto rolei em brincadeiras infindáveis. Onde nossa única preocupação era brincar até nosso corpo dizer basta.
Quando me contaram o que aconteceu, tive que me segurar para não desabar ao chão, tal era a incredulidade de acreditar que isto realmente tivesse acontecido. Porém, era verdade.
Não pude comparecer em seu velório. Tinha compromissos do trabalho, e não poderia me ausentar. Senti-me extremamente mal com isso, e logo que tive uma folga resolvi dar uma passada em sua casa. Talvez para tentar compreender, ou talvez para recriar velhas imagens de felicidade, há tanto perdidas.
E então aqui estou, sozinho numa casa vazia, em uma casa onde mesmos os fantasmas parecem evitar povoar.
 Onde nunca mais poderei rir junto com Thais. Momentos felizes perdidos para sempre.
A casa estava completamente vazia, seus pais haviam morrido há alguns anos atrás. E desde então ela viveu sozinha aqui. Apesar de nossos apelos para que se mudasse, ou então alugasse algum dos quartos para uma outra pessoa morar, ela não mudou nem um instante sua posição, a sua intenção de viver sozinha.
Thais sempre foi uma garota reservada, praticamente nunca teve um namorado, e preferia ficar em casa que sair para farrear conosco. E a morte de seus pais apenas piorou um clássico quadro de anti-sociabilidade. Thais fechou-se dentro de si, e mesmo eu, que era seu mais intimo e antigo amigo, não conseguia faze-la sorrir.
Então o tempo nos afastou, como sempre faz com amizades verdadeiras. Talvez uma tentativa do destino de não querer que sejamos felizes. A felicidade é algo tão difícil de ser conquistada, e quando finalmente conseguimos, sempre tem algo que nos afasta dela. O mundo é traiçoeiro, devemos saber lidar com ele para não sermos eternamente passados para trás.
Foi com Thais que troquei meu primeiro beijo. Um beijo estranho, engraçado, como sempre os são os nossos primeiros beijos, as nossas primeiras vezes. Foi apenas um beijo, e nada mais. Depois disso, acabei arranjando uma namorada e, algum tempo depois, acabei indo de muda para a capital, e desde então nossos encontros se tornaram um pouco escassos. Mas sempre que podia, vinha lhe visitar ou mandava cartas ou e-mails para ela.
E agora nunca mais poderei fazer isso.
Ao entrar em seu quarto, mais lembranças antigas povoaram minha mente. Ele estava exatamente do mesmo jeito que me lembrava. A cor, a decoração, mesmo os sempre presentes ursinhos de pelúcia, ganhos quando criança, permaneciam nos seus eternos lugares. Acredito que devam ser doados a uma instituição de caridade. Muitas crianças carentes ficariam felizes com tal presente.
Então me deparei com um retrato seu, um lindo retrato tirado na minha casa de praia, onde estamos, eu e Thais, juntos, sorrindo alegremente para a maquina fotográfica.
Onde foi parar toda essa alegria, o que poderia ter acontecido para que ela cometesse tal insano ato?



Quando as lembranças e a saudade começaram a dissipar-se, notei que havia uma espécie de carta, escondida no fundo do retrato.
Retirei-a com cuidado, para não correr o risco de rasgá-la, e percebi que se tratava de um bilhete.
Um bilhete escrito por Thais.
Tratei de lê-lo o mais rápido possível:

A quem possa interessar:

Este será meu legado para os que ficarem neste mundo cruel. Onde os nossos sonhos nada são além de fantasia e ilusão. Onde o que quisermos nunca estará ao alcance de nossas mãos.
Onde desejos não são realizados.
Por que continuar a insistir em continuar viva, se todas as nossas esperanças se foram. E nada nos resta além da dor e do desespero?
Acabei de receber a noticia que tanto temia, e agora... Droga, não há palavras que descrevam o que sinto.
Ou talvez deste momento em diante não sinta mais coisa alguma. Estou morta, nada resta em meu interior além do gélido vazio da morte.
E nesta noite chuvosa, onde o vento açoita meu corpo, decidi que não vale mais a pena continuar a viver esta mentira.
Mantive este amor sempre somente para mim. Porém agora não posso agüentar a pressão.
Se o meu amor e minha vida não podem ser salvos, então prefiro leva-los junto para meu túmulo.
Não fiquem tristes por mim, apenas não consegui ser forte o suficiente. Nunca fui forte, e não seria agora que conseguiria.
Desejo uma boa vida para todos que ficarem, mesmo para ELE, afinal, a culpa não é dele, e sim minha.
A culpa sempre foi minha.
Adeus.

Thais
(beijos que queimam nosso interior, beijos que nunca poderão ser repetidos, beijos apenas vivos na memória).


Um amor, Thais tirou sua vida, abandonou todos que sempre se importaram com ela apenas por causa de um amor não correspondido. Era difícil de acreditar em tal carta. Acreditar em tal verdade.
Quem poderia ser este homem que partiu de tal maneira seu coração. Que poderia provocar esta tragédia?
Larguei a carta em cima de sua escrivaninha. E tratei de sair de seu quarto. Ele havia se tornado assustador, angustiante. Como se as paredes quisessem fechar-se sobre mim.
Então fui ao banheiro, passar uma água em meu rosto, e tentar retomar a calma.
Não foi a minha melhor idéia. Pois ao entrar no banheiro, recordei que foi ali que Thais tirou sua vida. Na velha banheira, deitada em um último banho, talvez uma tentativa de purificar sua alma e corpo, seus pulsos foram abertos, e seu sangue misturou-se a água, a coloração escarlate tomando conta, e então Thais deu seus últimos suspiros...
E restaram então apenas as lembranças.
Quando estava lavando-me, evitando olhar em direção a banheira, ouvi um som.
Um som de porta abrindo.
Alguém havia entrado na casa, não estava mais a sós com minhas memórias.
Mas quem poderia ter entrado? Quem teria algum motivo para entrar aqui?
A não ser...
A não ser que não fosse alguém.
Senti um medo irracional tomando conta de mim. Em minha mente, o temor de que esse alguém fosse Thais, ressurgindo da morte, vindo saber o que eu pretendia ali, em sua casa, esse temor era forte demais. Cheguei a pensar que perderia a consciência e, assim sendo, seria uma vitima fácil para o invasor.
Tratei de desligar a luz do banheiro e escondi-me, olhando fixamente de onde havia surgido o barulho.
Então uma luz foi ligada, e pude ver o vulto de alguém caminhando pela casa.
E era um vulto feminino.com absoluta certeza era um vulto feminino que estava na casa.
Minhas mãos começaram a tremer convulsivamente. A vontade que tinha era de sair dali o mais rápido possível, derrubando quem quer que fosse e nunca mais colocaria meus pés nesta casa novamente.
O destino, parecendo querer estragar meus planos, me fez derrubar uma lâmina no chão.
A lâmina que Thais usou para cortar seus pulsos.
- quem está ai? Perguntou a invasora, com um voz humana demais para ser uma renascida das profundezas do inferno.
Resolvi sair do banheiro, e então vi de quem tratava-se.
Era a prima de Thais, que vivia na casa ao lado desta. Possivelmente viu as luzes ligadas e veio checar quem estava aqui.
- oi, sou eu, Vinicius, lembra-se de mim?
- ah, sim, claro, lembro de você sim, como eu poderia esquecer?
Eu notei uma certa dose de desprezo em suas palavras, e mesmo sua cara parecia demonstrar um certo nojo. O que poderia ser que eu tinha feito para provocar tal reação?
- você era a última pessoa que esperava encontrar aqui dentro, Vinicius. O que está fazendo?
- nada demais, apenas relembrando, tentando manter em minha mente somente boas lembranças de Thais.
- um pouco tarde para isso, não? Ela disse com rancor em sua voz.
- como assim?
- deixa para lá, acho melhor você sair, não quero que ninguém veja movimento na casa de minha prima. Não quero ninguém entrando em sua privacidade.
Concordei com ela, na verdade eu estava sendo um pouco intrometido ao entrar aqui sem falar com ninguém. Mesmo eu tendo a chave da casa (a própria Thais tinha me dado), concordei que não devia estar ali. Não sozinho.
Mas decidi fazer uma última pergunta, a pergunta que não queria calar-se.
- você sabe quem era o homem pelo qual Thais era apaixonado? Eu sei que esse foi o motivo pelo qual ela resolveu tirar sua vida.
- você não sabe?
A surpresa na voz dela ela óbvia demais para não ser percebida.
- não faço idéia. Respondi.
- era você, Vinicius. O grande amor da vida dela sempre foi você. Ela me contou tudo. Desde o beijo que vocês trocaram na adolescência, a única razão da vida de Thais era você. E quando informou a ela sobre seu casamento, ela não suportou e se matou. Toda a responsabilidade sobre a morte de minha prima é sua, ouviu, sua e de mais ninguém.
E então o chão sob meus pés desapareceu, e cai, tonto pela revelação.
Um fardo que sempre irei carregar, a morte de minha melhor amiga era por minha causa.
Talvez um fardo pesado demais para ser carregado.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Antologias

Além de O Casarão, também tenho participado de algumas antologias país afora, algumas muito boas, outras nem tanto (devo confessar). E para quem está se perguntando "vale a pena participar disso?" eu respondo, "talvez"...acho que essa não foi a melhor das respostas..hehehe
Depende muito da antologia, de quem organiza e do cuidado com todas as etapas que passam um texto, desde a escolha dos textos, revisão, diagramação, capa...enfim, todos os cuidados possíveis.
Algumas Editoras fazem isso, outras nem tanto, colocando muitas vezes lado a lado ótimos textos com outros parecendo saídos de uma redação de 5ª série. Mas isso nem é culpa de quem escreveu, mas sim de quem escolheu os referidos textos para constar num livro que deveria ser os melhores. Mas enfim, isso também é questão de escolha e gosto pessoal.
Mas eu gostei muito de escrever e participar destas antologias, pois com isso adquiri "bagagem literária" (um linguajar meio estranho, mas...) e a gente aprende muito mais com os erros que com os acertos. Algo que não foi selecionado para alguma antologia, normalmente é por que ainda não era bom o bastante (bom, sempre com a exceção das antologias "sempre tem lugar pra mais um"). O aperfeiçoamento é eterno, uma constante busca pela perfeição inexistente.
Abaixo as capas das antologias que participei, sendo que duas serão lançadas somente em Janeiro de 2011. Com o passar do tempo farei uma resenha mais adequada de cada um dos livros.

Prestigiem os autores nacionais.